quarta-feira, 23 de março de 2011

Sentido de ser poeta.

Foto de Sebastião Salgado

A poesia me da voz onde sou muda
sabedoria de quem não sabe, nem estuda
é ecos austrais, tempo idos, imemoriais
é mil segredos dos poetas imortais.

Ser poesia, como poesia é, a guiza de ser morta
serei poesia em cada linha da vida torta
nas ruínas tristes das minhas civilizações
nos ventos indecisos, monções das emoções.

Sou poesia para vencer o rio do medo
sou poesia por não saber ser mais nada
sou poesia para saber que morrer é cedo

para não querer a vida vã e acabada
sou poesia para não ser um engano ledo
ter vivido, sem nunca ter sido amada.

2 comentários:

Susan disse...

Este soneto está soberbo !!!
muito me fez recordar a Florbela ...
Um beijo

Um Poema disse...

....

Ana,
Não é demais repetir-me. Gostei!
Um abraço
Vítor Cintra