quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Verdade


                                                        Foto Henri Cartier Bresson

Pouco importa!
Quem bate à porta
ou quem entorta a reta
pouco  importa
a face morta
na roupa e na hora certa
não me importa
o sorriso vil
no aconchego hostil
do úmido covil
ver e ser visto
deserto que desisto
pouco importa
se a vagina é nobre
ou se a rima é pobre
Importa?
O aplauso automático
do espectador estático
expectando extático
parado,
no êxtase comprado
pago e importado
vendido com letreiros:
QUALIDADE!!!?
Propagado por
megafones conjugais
que vendem verdades,
oportunamente casuais.
Apenas me importa
o mundo para dentro de minha porta
meu grande achado:
o amor que dorme ao meu lado.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Conceitos



                                                              Foto Henri Cartier Bresson
Me cansam as retas
As curvas
E as curvaturas
Da verdade
de cada visão.
Mentiras?
Delicadas roupas
Feitas de crepom
Na chuva da realidade
Despindo a alma
Do que é bom.

Amor

Amor

                                                         Foto Henry Cartier Bresson
O amor escorre,
é líquido
vai pelo ralo do tempo.
O amor?
É apenas um momento.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Sou forte

Mato um leão por dia
com a mais pura alegria
sou forte!
sou altiva, de belo porte
posso carregar o fardo
tenho a sabedoria do bardo
o desprendimento do monge
a astúcia da ave de rapina.
Porque então que me parece tão longe
a felicidade
sempre ali, dobrando a próxima esquina?
(será que me falta dopamina?)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Navegar é preciso.



Não dobra o sino sem o toque de uma mão
tudo é ação
nada é sem propósito
não somos apenas depósito da vontade divina
somos a força de enfrentar a sina
de ser vivente
somos o navegador
dobrando o Bojador
além das tormentas
somos os cabos
içados por mãos atentas
de navegante sonhador
somos mar de imaginação
tocando a vida
como se a vida tivesse algum timão...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Engano



E me tornou propriedade
assim, com um estalar de dedos
me supriu medos
aprisionou ânsias e insônias
enquanto eu lavava a louça
cobriu com lençóis uma lousa
fria, deitei-me silenciosa
(e dizer que já fui fogosa)
agora cinzas desmaiadas
sob o sol de cada de trabalho.
Dizer que sonhei-nos orvalho
lágrimas  de alegria
em pétalas ao raiar do dia.
Acordei apenas mulher,
frágil, desidratada e vazia...

Divagações filosóficas



Gosto de saber coisas novas
difíceis
deslizar por superfícies
ondulantes de meu cérebro cinzento
gosto de girar pelas
circunvoluções
como se fosse vento
relâmpago acendendo tempestades
de verdades incongruentes
conhecer os artífices do pensar
teorizar revoluções
pelas nesgas de ar
que flutuam na imensidão
dos pensamentos da época
mudar o mundo a cada década
imaginar que a vida é um nó
no infinito
ou quem sabe uma zephiró
que quebrou em um grito
de algum rito
estranho
que somos apenas um erro
extravasamento de algum
experimento supra-humano
uma super colônia de alguma bactéria exigente
em uma placa de Petry com a etiqueta: gente.

Solidão tão minha


Foto Henry Cartier Bresson

Me busca no espaço este vazio do corpo
solidão tão minha
esta de sentir-me apenas luz
pairando sobre os leitos de carne
despida de obrigação,
de direitos de criação
coberta de penas e castigos
tecidos umbigos de genes
incongruentes, parentes
parênteses entre o ser e o não existir
além da expectativa humana
tão vil, vulgar, material e insana.
herança?
Apenas a triste  esperança da liberdade
no requiém solitário.

Solidão tão minha...
placentária, planetária
alma além da idade
burra velha, carregando
nas costas o peso da sociedade.

domingo, 22 de maio de 2011

Devaneio



                                               Foto: Henri Cartier Bresson
Devaneio

Purifica-me a palavra
Esta luz que clarifica
Petrifica lava
Palavra que fica
Lavra de minha veia
Que salta
Alta é a cordilheira
Por onde a alma passeia
Nos horizontes confins
Onde sou apenas um raio de luz
Com os imponderáveis seres afins.
Sou apenas claridade
Irrealidade etérea passeando com querubins.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Peito mudo

Perdi as rimas na multidão de afetos
ainda não era dia na noite eterna da alma
chamei por elas nos ecos de meus cristalinos tímpanos
anteriores sons do primordial antigo mundo
pequenos tilintares de afetos
anúncios de peitos em címbalos rimbombantes
apenas fonemas gritando amor
dentro dos megafones
em páginas na estante.

Quando bate o desespero



Quando bate o desespero
me viro do avesso
me atravesso
só vejo fim
esqueço começo
quando bate o desespero
me destempero
me enlouqueço
entristeço
me perco do essencial
quando bate o desespero
abro uma porta ao mal

Poema de amor louco

Se você nunca enlouqueceu de amor?
enlouqueça!
Perca os pedaços,
a cabeça,
não meça,
não peça
não pense
diga poemas de amor no-sense
faça de tudo
rasgue o escudo
ou qualquer promessa
lance a vida ao espaço
aperte o passo
corra
desfaça laço
nasça, morra
conte as horas,
os segundos
execute penhoras
atravesse todos mundos
tenha pressa
se desoriente
seja impaciente
roa as unhas da mão
acredite na trajetória
mesmo que giratória
entonteça
no eixo da paixão
conte ansioso todas as tábuas do chão
não saiba
se é sábado
se é pecado
ou se é do diabo
a procissão
se a roupa está do lado errado
ou se esse suave sussurro
é algum vulcão em erupção
grite, dance de contente
fale muito, mesmo silente
Não entenda
rasgue a roupa
cubra-se de renda
oblitere com a boca
cada fenda
assuma a senda
de perder a razão
Se você  nunca  enlouqueceu de amor?
não sabe do pulsar o coração!!!